RELACIONAMENTOS ABUSIVOS: CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS EM MULHERES QUE O VIVENCIAM

ANDRESSA DA SILVA SOUZA

Resumo


Os seres humanos, rigidamente, nascem machos ou fêmeas, somente através da educação que lhes é conferida é que se tornam homens e mulheres, assim sendo, a identidade de gênero é socialmente construída. Logo, o sexo e os aspectos biológicos recebem definições sociais advindas das características físicas e sociais de homens e mulheres, estabelecendo as desigualdades entre os sexos e as perpetuando socialmente através da naturalização destas (SAFFIOTI, 1987). O autor afirma ainda que a desvalorização social do espaço doméstico, bem como a naturalização dos processos socioculturais de discriminação contra a mulher é que proporcionam um caminho mais fácil e curto no que diz respeito a legitimidade da “superioridade” dos homens. É nesse cenário que se estabelece os relacionamentos abusivos contra a mulher, como consequência da relação hierárquica entre os sexos, apoiada historicamente pela diferença de papéis atribuídos socialmente a mulheres e homens. De tal modo, qualidades relativas a agressividade e domínio são conferidas aos homens, enquanto que à mulher foi imputado o título de “sexo frágil” por serem mais expressivas (afetivas, sensíveis), traços que se contrapõem aos masculinos e, por isso mesmo, não são tão valorizados na sociedade (AZEVEDO, 1985). No que tange ao termo abuso, Osório (2004) expõe que o conceito de abuso não deve ser visto apenas pelo seu viés de conotação sexual, e sim entendido como todo e qualquer tipo possível de agressão ou violência. Assim sendo, o conceito de abuso possui implicações muito mais amplas que meramente sexuais, apesar de não a excluir, ela somente não basta para definir o termo. Corroborando com isso, Magalhães (2010) afirma que o conceito de abuso abrange qualquer comportamento de um indivíduo que tenha por finalidade dominar e controlar outra pessoa, no âmbito de uma relação íntima. Portanto, o vínculo entre a vítima e o abusador torna-se necessário, visto que somente através da proximidade e confiança é que o abusador consegue se posicionar de forma dominante. A partir do exposto, este trabalho visa explorar os danos psicológicos decorrentes dessas relações abusivas, buscando compreender qual o papel do psicólogo e de que forma a intervenção psicológica se insere nesse contexto. As informações neste contidas e os motivos que influenciaram a desenvolvê-lo levam em consideração a grande demanda social sobre a negligência das consequências psicológicas decorrente de relacionamentos íntimos abusivos, bem como a necessidade do debate para a desconstrução da supremacia de gênero e, consequentemente a construção da autonomia da mulher.

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