O USO DE TÉCNICAS ANALÍTICO-COMPORTAMENTAIS NA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA

LUIZ EDUARDO DE CASTRO NASCIMENTO, LUIZ CARLOS RODRIGUES DE MATOS SOUZA SOBRINHO, ANCHIELLE C. HENRIQUE SILVA

Resumo


A atuação clínica do/a profissional de psicologia, independente da abordagem, consiste em buscar meios de modicar comportamentos e/ou pensamentos disfuncionais que afetam de forma negativa tanto o/a paciente/cliente, quanto aqueles que estão a sua volta. Neste sentido, a terapia familiar sistêmica foi concebida com a proposta de intervenção focada não apenas em um único sujeito, mas ampliada a todos os/as indivíduos que fazem parte do seu contexto familiar, buscando modificar o sistema familiar disfuncional que causa sofrimento aos seus membros (BORGES; CASSAS, 2012; DIAS, 1990). De acordo com a visão sistêmica “o paciente identificado é somente o porta-voz do sintoma; a causa do problema são as transações disfuncionais da família; e o processo de cura envolverá a mudança destas transações disfuncionais” (MINUCHIN; FISHMAN, 2007, p. 37). Consequentemente, o trabalho do/a terapeuta familiar objetiva compreender a realidade familiar, focando em possíveis fatores ambientais que contribuam para o sofrimento do sujeito sintomático e dos demais familiares, com o intuito de tornar este um sistema mais saudável para os membros que o compõem (MOREIRA, 2013; DIAS, 1990). Sobre os mecanismos de atuação dos/as terapeutas sistêmicos no setting terapêutico, estes são variados, podendo, inclusive, ser absorvidos de outras abordagens da Psicologia. A vertente Behaviorista radical, por exemplo, apresenta diversos conhecimentos relacionados aos mecanismos de comportamentos individuais e interações sociais/familiares, sendo aplicados na prática através das técnicas da analítico-comportamentais, possuindo efetividade também na prática do terapeuta sistêmico (TOURINHO, 1999; BORGES & CASSAS, 2012). Quando conceitos como o de comportamento operante (Cf. MOREIRA; MEDEIROS, 2007) são aplicados ao contexto familiar, infere-se que o sujeito é afetado pelo ambiente social, modificando-o, e passando ser afetado por ele. Por consequência, as interações familiares não são consideradas lineares, mas sim circulares, da mesma forma que defende a abordagem Sistêmica, já que Costa (2010) cita a circularidade “como a lente para compreensão das influências mútuas entre os membros da família” (p. 96). Neste sentido, o presente artigo tem o objetivo de demonstrar a possível aplicabilidade das técnicas analítico-comportamentais no exercício clínico da terapia familiar sistêmica. Trata-se de uma revisão bibliográfica do tipo qualitativo que investigou trabalhos produzido por autores conhecidos em ambas as abordagens (e.g., MINUCHIN; FISHMAN, 2007; BORGES; CASSAS, 2012), de modo a reunir embasamento teórico sobre o tema (TOURINHO, 1999; CATANIA, 1999; MOREIRA, 2013).

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