MATERNIDADE COMPULSÓRIA: IMPLICAÇÕES NA VIDA DA MULHER CONTEMPORÂNEA

ANDRESSA DA SILVA SOUZA, KAMILLA MATOS CARDOSO FRANCA, YASMIM ELLEN RODRIGUES DE DEUS

Resumo


O termo compulsório refere-se àquilo “que compele; obrigatório; forçoso” (LUFT, DE ASSIS BARBOSA e DA CUNHA PEREIRA, 2000, p. 152). Deste modo, é possível a associação deste com as atuais discussões sobre a maternidade, nas quais alguns posicionamentos mostram a mesma como um arquétipo de comportamento feminino imposto, relacionando a mulher a condição de mãe dedicada e amorosa. No entanto, Banditer (1985) aponta o amor materno como uma construção ideológica, o desconsiderando como inato. Esse conceito de amor inato à natureza feminina nem sempre foi visto dessa forma, ele começa a ser concebido a partir das mudanças sociais ocorridas no início do século XIX. Banditer (1985) traz que essa concepção do amor da mãe para com os filhos era distinta: as crianças geralmente eram entregues logo após o nascimento às amas, para que essas os cuidassem até por volta dos cinco anos. Em consonância, o que se percebe é que assim como todos os sentimentos humanos, o “amor materno” altera-se temporalmente de acordo com as variantes socioeconômicas. Após o século XIX, no decurso da história ocidental, é perceptível a indissociabilidade da imagem da mulher e da mãe, ficando sempre resguardada a estas a tarefa do cuidado com as crianças, bem como o perfeito desempenho dessa função. Tais questões são reflexos de uma cultura que perpetua uma visão da mulher a partir de sua natureza biológica, e consequentemente, associa sua capacidade de gerar e ser mãe à construção de sua identidade como mulher (BADINTER, 1998). A partir do exposto, esse trabalho visa explorar as implicações da maternidade compulsória na vida da mulher contemporânea, tendo seu enfoque nas questões relativas a infertilidade, entrega do/a filho/a para adoção e o não desejo da maternidade. A discussão acerca do tema tornou-se possível por conta do caráter bibliográfico, qualitativo e exploratório desta pesquisa na qual não houve delimitação temporal. Sendo assim, a escolha do tema derivou da necessidade de trazer a luz a questão da maternidade como condição de sofrimento para mulher, entendendo que na nossa sociedade essa maternidade se constrói de forma compulsória.

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