IMPACTOS DA SEPARAÇÃO CONJUGAL NA QUALIDADE DE VIDA, SOB A PERSPECTIVA DA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA: UM ESTUDO DE CASO

BRENA FONSECA EVANGELISTA, ANCHIELLE CRISLANE HENRIQUE SILVA

Resumo


Este artigo apresenta a prática psicoterápica desenvolvida no componente curricular de Estágio Profissional Supervisionado com ênfase em Clínica Sistêmica, através de um estudo de caso. Entende-se por Estágio Profissional Supervisionado um “conjunto de atividades supervisionadas, de cunho profissionalizante, que legalmente o aluno deve cumprir para complementar seu currículo acadêmico" (WITTER, GONÇALVES, WITTER, YUKI-MISU & NAPOLITANO, 1992, p. 182), tendo por objetivo contribuir para a prática na formação do estudante do Curso de Psicologia ao assegurar o contato do formando com instituições, situações e contextos reais. Os atendimentos clínicos aconteceram nas dependências da Unidade de Servicos da Clinica Escola de Psicologia de uma Faculdade do Oeste da Bahia. Este estudo justifica-se pela necessidade de descrever os impactos da separação conjugal na qualidade de vida de um indivíduo, pois entende-se que este momento pode fazer parte da trajetória humana e trazer ressignificações e dores emocionais, podendo assim afetar no estabelecimento de uma boa qualidade de vida (CARUSO, 1989). O estudo de caso apresentado foi dividido em: demanda e as impressões do caso atendido; Breve descrição do caso e hipótese, por fim, o plano psicoterapêutico. A experiência proporcionada pelo atendimento individual, com demanda conjugal permitiu um conhecimento único e especial, o de viver e desenvolver a empatia, a escuta integral, o acolhimento, as percepções e intervenções, as quais conduzem essa prática. A prática em psicoterapia é regulamenta da pelo Conselho Federal de Psicologia-Resolução CFP-010/2000 e fundamentada por diversas abordagens técnicas. O profissional, que é treinado para isso, realiza atendimentos que agregam elementos comuns e também variados. Como elementos comuns estão: a empatia, a aliança, saber ouvir, questões éticas, além do consentimento e desejo de mudança por parte do sujeito que procura esse serviço (CORDIOLI, 2008). Mais que método psicoterapêutico de intervenção, a Terapia Familiar Sistêmica sustenta-se como uma nova abordagem de pensar e ver o outro. Outro esse que não é enxergado de forma isolada no espaço e no tempo, e sim vinculado enquanto peça integrante de sua família (VITÓRIA, 2017). Já na terapia de casal, o foco do trabalho terapêutico é a tomada de consciência do funcionamento individual e de casal, levantamento dos aspectos que precisam ser mudados e das aprendizagens que necessitam ser feitas. Essas aprendizagens acontecem na sessão através de novas visões e experiências das situações rotineiras e via prescrições para serem realizadas no intervalo das sessões. O terapeuta ver a relação como um espaço de desenvolvimento das potencialidades pessoais, e as dificuldades são vistas como a possibilidade de trazer à luz os pontos pessoais que precisam ser polidos. Outro aspecto importante é o ligado ao espaço de crescimento que a relação permite. (ROSSET, 2017). 17º Congresso de Iniciação Científica da FASB, 2019, Barreiras – Ba ISSN 2594-7951 2 O casamento implica a construção de uma nova identidade para os cônjuges, de um “eu-conjugal” na definição de Singly (1988), que vai se construindo através das interações estabelecidas entre eles. No processo de separação, a identidade conjugal, construída no casamento, vai aos poucos se desfazendo, levando os cônjuges a uma redefinição de suas identidades individuais. A separação, descrita por Caruso (1989) como uma das mais dolorosas experiências pelas quais pode passar o ser humano, é um processo complexo, vivido em diferentes etapas e em diferentes níveis. Para Caruso, estudar a separação amorosa significa estudar a presença da morte na vida, ou seja, na separação há uma sentença de morte recíproca: “o outro morre em vida mas morre dentro de mim... e eu também morro na consciência do outro” (p. 20). A crescente preocupação com questões relacionadas à qualidade de vida vem de um movimento dentro das ciências humanas e biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplos que o controle de sintomas, a diminuição da mortalidade ou o aumento da expectativa de vida. A abordagem psicológica da qualidade de vida, busca indicadores que tratam das reações subjetivas de um indivíduo às suas vivências, dependendo assim, primeiramente da experiência direta da pessoa cuja qualidade de vida está sendo avaliada e indica como os povos percebem suas próprias vidas, felicidade, satisfação. Desse modo, partindo da premissa de que é na relação de casal que certas necessidades são satisfeitas, a patologia surge quando os parceiros não conseguem satisfazer reciprocamente estas necessidades, transferindo a insatisfação para outro âmbito relacional de sua vida, podendo assim, afetar sua qualidade de vida. (DAY EJANKEY, 1996).

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