A PSICOLOGIA NA ESCOLA: SUAS CONTRIBUIÇÕES E UM BREVE RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ESCOLAR

CARLA SILVA FIAES, GISELLE SOUZA OLIVEIRA, MIRYAN PEREIRA DE LIMA

Resumo


A Psicologia escolar é um dos mais antigos nichos de atuação da/o psicóloga/o no Brasil (SOUZA, 2009; BARBOSA, MARINHO ARAÚJO, 2010; MACHADO, 2010), sendo possível afirmar que a Psicologia no país teve início dentro do campo da psicologia educacional. (GOULART, 1987). De acordo com Barbosa e Marinho-Araújo (2010), as primeiras intervenções no âmbito da psicologia escolar são datadas entre os anos de 1889 e 1930, época conhecida como República Velha, com a utilização de instrumentos psicológicos de medição e classificação de indivíduos nas instituições escolares. Influenciados pelas ações desempenhadas na França e nos Estados Unidos por psicólogos escolares embasados em uma forte perspectiva clínica e patologizante dos processos de ensino/aprendizagem, a psicologia escolar brasileira adotou tais práticas, aderindo a métodos classificatórios e excludentes que apontavam para uma necessidade de ajuste do indivíduo, dando pouca relevância ao potencial da psicologia escolar/educacional como uma área de pesquisa e produção de conhecimentos voltados para a cultura e necessidades específicas da população brasileira (BARBOSA, MARINHO-ARAÚJO, 2010), e compreensão e adaptação dos métodos pedagógicos utilizados na escola. Na década de 1980, as práticas psicológicas na área educacional que até então eram voltadas para a psicometria, atribuição de culpa ao estudante e quando essa perspectiva se alargava mais, também às suas famílias, pela não aprendizagem e baixo rendimento escolar, a aplicação da teoria da carência cultural como explicação para o fracasso escolar, e trabalhos voltados para o ajustamento clínico dentro da escola, começaram a receber críticas, e novos estudos foram empenhados, possibilitando o surgimento de perspectivas diversas das vigentes na época e referencial teórico apropriado para embasar as práticas da psicologia no campo da educação. (SOUZA, 2010). Atualmente, a psicologia escolar conta com conhecimentos técnicos e científicos sobre o desenvolvimento emocional, cognitivo e social utilizando-os para traçar estratégias mais eficazes de ensino-aprendizagem e auxiliar na resolução de conflitos no ambiente escolar. (CASSINS, JÚNIOR, VOLOSCHEN, CONTI, HARO, ESCOBAR, 2007). Avaliação, diagnóstico, acompanhamento e orientação psicológica são aplicados dentro de um contexto institucional e não mais exclusivamente voltados ao aluno individualmente. Para casos que requeiram, realizam-se encaminhamentos clínicos, porém, as intervenções são realizadas sempre visando um contexto maior, integrando todos os componentes que compõe a vida daquele estudante de maneira sistêmica e contextualizada. (CASSINS, et al, 2007). O estágio profissional em psicologia escolar tem como objetivo colocar a/o acadêmica/o em contato com a função de psicóloga/o escolar angariando maior conhecimento e experiência na área de atuação e auxiliando a instituição nas dificuldades que se apresentam 17º Congresso de Iniciação Científica da FASB, 2019, Barreiras – Ba ISSN 2594-7951 2 nesse universo complexo e plural que é a escola. O psicólogo escolar trabalha em conjunto com todos os atores da escola, desenvolvendo trabalhos de prevenção de conflitos e realizando ajustes e mudanças em situações que requerem intervenções para a melhoria das relações interpessoais, adaptação de métodos pedagógicos de ensino, inclusão de alunos com dificuldades escolares ou necessidades educacionais especiais, desenvolvimento de habilidades sociais na escola e outras questões relevantes para o cotidiano escolar. Esse trabalho trata-se de um relato de experiência cujo objetivo é elucidar o trabalho desenvolvido pela/o estagiária/o de psicologia na escola, apresentando os desafios encontrados na rede pública de ensino brasileira e as contribuições da ciência do comportamento nos desafios que se colocam diariamente a essa atuação.

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