ESPONDILODISCITE TUBERCULOSA: RELATO DE CASO CLÍNICO E REVISÃO DE LITERATURA

ANA CAROLINA TANAJURA LIMA, GABRIELE DA SILVA ALMEIDA, LEILA DE OLIVEIRA NUNES, LUCAS PEREIRA DOS SANTOS, RODRIGO JOSÉ MELO DO ESPÍRITO SANTO

Resumo


Espondilodiscite é um processo inflamatório, geralmente infeccioso, que acomete os discos intervertebrais e as vértebras associadas (GARCIA et al., 2013). A infecção da coluna vertebral é rara e frequentemente reconhecida e tratada tardiamente. Espondilodiscite é osteomielite da coluna e pode causar sintomas graves. A mortalidade hospitalar está na região de 2% a 17% (SOBOTTKE et al., 2008). Existem dois grandes grupos de espondilodiscite: a piogênica cujo agente etiológico mais frequente é o Staphylococcus aureus e a granulomatosa, causada sobretudo pelo Mycobacterium tuberculosis e Brucella mellitensis, ambos endémicos em Portugal (FARIA et al., 2011). Infecções espinhais podem ser descritas etiologicamente como piogênicas, granulomatosas (tuberculose, brucelares, fúngicas) e parasitárias. As infecções espinais piogênicas incluem: espondilodiscite, um termo que abrange osteomielite vertebral, espondilite e discite, que são consideradas manifestações diferentes do mesmo processo patológico; abscesso epidural, que pode ser primário ou secundário à espondilodiscite; e artropatia articular facetária. Existem outros esquemas de classificação anatômica (THEODORE et al., 2010) A espondilodiscite infecciosa é uma causa rara de lombalgia no adulto, afeta mais o sexo masculino e predomina na faixa etária entre 50 e 60 anos. Apesar da baixa prevalência, deve ser equacionada em qualquer doente com dor aguda ou subaguda. Quando se considera a percentagem relativa de espondilodiscite dentro da categoria de osteomielite, esta corresponde a apenas 2 a 4% dos casos. A localização mais frequente é nas vértebras lombares (59%), torácicas (34%), atingindo menos frequentemente a região cervical (10%). As infecções que envolvem a coluna vertebral podem envolver o espaço epidural, paravertebral, o corpo vertebral ou o disco intervertebral. A infecção pode ocorrer através de disseminação hematogénea a partir de um foco bacteriémico distante, que muitas vezes não é identificado (pode atingir 62,5% dos casos), por inoculação direta ou contiguidade (FARIA et al., 2011). Desarte entende-se que, a espondilodiscite tem uma apresentação clínica diversa, o que torna o diagnóstico, na maioria das vezes, muito difícil. A partir disso tem-se um quadro de tratamento limitante, já que o diagnóstico da doença não é precoce. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de espondilodiscite tuberculosa, realizar revisão da literatura sobre o tema e destacar a importância do diagnóstico e tratamento precoce para melhor prognóstico clínico.

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