DIABETES MELLITUS E DOENÇA DE ALZHEIMER: REVISÃO DE LITERATURA

CARLA GABRIELA RODRIGUES CAVALCANTE, CAMILA CASSIA CANZI, LASIER EMERICK HERBER, CAREN RIGON MIZDAL

Resumo


A pirâmide etária, atualmente, está adquirindo forma inversa devido ao envelhecimento populacional, fenômeno crescente que vem ocorrendo principalmente nos países em desenvolvimento. Segundo Matioli (2016), cerca de 900 milhões de idosos viviam em todo o mundo em 2015, representando 12,3% da população mundial, e as estimativas são de que em 2050 corresponderão a 2 bilhões ou 21,5%. Concomitantemente, doenças crônicas como demência e diabetes mellitus (DM) que afetam em sua grande maioria os idosos comprometerão enorme parcela da população, o que irá deflagrar obstáculo para a saúde pública do mundo. A DM é uma das doenças metabólicas mais comuns no mundo. De acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes possui grande prevalência e associação com fatores como rápida urbanização, transição epidemiológica, transição nutricional, estilo de vida sedentário, excesso de peso, crescimento e envelhecimento populacional. Classifica-se em dois tipos: diabetes tipo 1, doença autoimune, poligênica, decorrente de destruição das células β pancreáticas, ocasionando deficiência completa na produção de insulina, e diabetes tipo 2, de etiologia complexa e multifatorial, envolvendo componentes genético e ambiental. Os principais critérios de diagnóstico da diabetes mellitus tipo 2 (DM2) incluem, glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl, níveis da hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6.5%, ou, níveis de glicose superior a 200 mg/dL no teste oral de tolerância à glicose (LOPES et al., 2018). Segundo Falco (2015) as doenças neurodegenerativas caracterizam-se pela destruição irreversível dos neurônios, provocando a perda progressiva e incapacitante de determinadas funções do sistema nervoso. Estas são consideradas as maiores causas de demência, que afetou, por sua vez, cerca de 47 milhões de pessoas em todo o mundo em 2015 e estima-se que esse número chegue a 75 milhões em 2030. A sua ocorrência tem íntima relação com o envelhecimento populacional, sendo a doença de Alzheimer (DA) a causa mais comum. A DA é caracterizada pela perda neuronal nas regiões hipocampais e perihipocampais, responsáveis principalmente por processar a memória episódica, e em regiões do córtex cerebral, 17º Congresso de Iniciação Científica da FASB, 2019, Barreiras – Ba ISSN 2594-7951 2 responsáveis por diferentes funções cognitivas (linguagem, praxias, entre outras), devido ao acúmulo de placas senis compostas por peptídeos β-amiloides (Aβ) no meio extracelular e emaranhados neurofibrilares (ENF), que são caracteristicamente intracelulares. (SANTOS et al., 2017) Muitos fatores afetam adversamente o cérebro de indivíduos com diabetes, incluindo a desregulação energética, inflamação, alteração da perfusão, aumento do estresse oxidativo e deposição proteica (LOPES et al., 2018). Dessa forma, estudos demonstram que a DA pode ser uma nova forma de diabetes que lesiona especificamente o cérebro, devido à deposição de peptídeos β-amiloides (Aβ) o que provoca uma resistência neuronal à insulina levando a um prejuízo da transmissão interneuronal.

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