A EXPERIÊNCIA VIVENCIADA POR PESSOAS QUE SOBREVIVERAM AO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

JAMILE CARVALHO RODRIGUES, CAROLINE CARVALHO RODRIGUES, FRANCELISE SUSAN MIHARA BETTANIN, MARCELO RODRIGUES BACCI

Resumo


As doenças crônicas não transmissíveis, entre elas as cardiovasculares, as respiratórias, a diabetes e o câncer, representam uma ameaça para a saúde e o desenvolvimento humano. Estima-se que 17,3 milhões de pessoas morreram, em 2008, por doenças cardiovasculares, que representaram, nesse período, 30% das mortes mundiais. Dessas mortes, a estimativa foi de que 7,3 milhões foram decorrentes das doenças coronarianas e 6,2 milhões foram causadas pelo acidente vascular cerebral (AVC) (WHO, 2013). Os Indicadores e Dados Básicos Brasil 2011, evidenciaram que de 2000 a 2010, as doenças do aparelho circulatório ocuparam o primeiro lugar nas causas de morte. Entre essas doenças, destacaram-se as doenças isquêmicas do coração e as doenças cerebrovasculares, perfazendo, juntas, um percentual superior a 60% (MINISTÉRIO SAÚDE, 2011). Na classificação mundial, o país está entre os dez primeiros com os maiores índices de mortalidade por AVC, apontado como a maior causa de incapacidade na faixa etária acima de 50 anos, sendo responsável por 10% do total de óbitos, 32,6% das mortes com causas vasculares e 40% das aposentadorias precoces no Brasil (MINISTÉRIO SAÚDE, 2011; ABRAMCZUK, VILELA, 2009). A pessoa que sobrevive ao AVC e seus familiares poderá necessitar de demandas de cuidados complexos após o evento cerebral do período de hospitalização até o domicílio. Com isso, observa-se um amplo debate acadêmico internacional e nacional sobre os avanços necessários para promover estratégias eficazes para o processo de reabilitação, por meio de ações que tenham como principal objetivo, o autogerenciamento, o autocuidado e a contínua monitorização dessas pessoas nos serviços de saúde, principalmente na atenção primária e no contexto domiciliar para a promoção da saúde e melhor qualidade de vida deste grupo de pessoas (BATTERSLEY et al., 2009). Observa-se, atualmente, que esta tem sido uma preocupação das políticas públicas brasileiras, que buscam aprofundar a consideração dessas questões relacionadas ao direito à saúde e a necessidade de promover uma melhor acessibilidade e reinserção social de pessoas com deficiências. Nesse grupo, portadores de AVC têm merecido destaque. Como exemplo dessas políticas podemos destacar em 2002 a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, em 2010 os Princípios e Diretrizes Gerais da Política Nacional de Atenção Básica, em 2011 o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Linha de cuidado do AVC e o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis- construção de unidades para o AVC. E no plano mundial, em 2014 a Declaração Global dos Direitos dos Sobreviventes de AVC (MINISTÉRIO SAÚDE, 2011; LINDSAY et al., 2009). Essas políticas têm como objetivo promover a qualidade de vida, reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde e garantir o acesso a assistência integral à saúde dos usuários. Após a alta hospitalar, o sobrevivente apresenta uma série de limitações físicas e emocionais. No retorno para casa, a perspectiva do cuidado difere do hospital, é nesse momento que há a transição do curar para o cuidar em domicílio (LINDSAY et al., 2009). A compreensão da experiência do processo saúde e doença para as pessoas que vivenciaram o AVC é importante, pois permite que o profissional identifique as dificuldades dos indivíduos ao vivenciarem esse processo em sua vida, buscando estratégias de apoio que minimizem este sofrimento e ações eficazes para promover o autocuidado e o autogerenciamento da saúde. O objetivo do estudo foi descrever a experiência da enfermidade, por pessoas que sobreviveram ao acidente vascular cerebral (AVC) do âmbito hospitalar ao domiciliar.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.