ESTUDO FILOLÓGICO DAS CAUSA MORTIS PRESENTES EM UM LIVRO DE ÓBITOS NOVECENTISTA DE SANTA RITA DO RIO PRETO-BA

LUIZ HENRIQUE DE OLIVEIRA FRANÇA, JOSENILCE RODRIGUES DE OLIVEIRA BARRETO

Resumo


Preservar a história da humanidade é uma medida salutar no tocante à identidade de nossa civilização, sendo esta uma preocupação vista em todas as gerações, desde os tempos antigos. Nesse contexto, a Filologia, enquanto ciência empírica, destina-se a salvaguardar o maior patrimônio constituído pela sociedade: a sua língua, atestada em documentos. A Filologia, aliás, é uma ciência que possui como principal atividade a edição de textos, assim como também conta com diversas perspectivas de estudo, sobre as quais são apresentadas diferentes propostas interpretativas que, por sua vez, são responsáveis por expandir a dimensão do que pode ser estudado a partir do principal objeto de investigação filológico: o texto. Sob tal entendimento, é possível perceber que, por meio da disponibilização das informações obtidas nos textos antigos pelos filólogos, pesquisadores de distintas áreas do conhecimento podem vislumbrar uma gama ainda maior de análises de acordo com a sua área específica, originando-se, desta maneira, múltiplos estudos alicerçados em, por exemplo, um único corpus de pesquisa. Para além disso, é preciso destacar que para realizar o resgate e, consequentemente, conservar a língua utilizada em épocas pretéritas, o filólogo se lança em meio à história e à cultura daquele povo, com a finalidade de descrever as reais condições em que aqueles documentos foram escritos e também com o objetivo de apresentar o contexto histórico-social presente no texto de maneira fidedigna ao que consta no documento original. Entretanto, não se pode olvidar que para a realização do labor filológico faz-se necessário o desempenho de um árduo trabalho, tendo em vista que por conta da abordagem filológica se concentrar no texto, isto é, dela se dar por meio do estudo de manuscritos antigos, os quais foram registrados em diversos suportes e em fases pretéritas da língua, demanda métodos de estudo e análise laboriosos. Nesse sentido, tratando-se da materialidade física de um manuscrito é preciso que o filólogo leve em consideração alguns aspectos importantes, como o processo de produção, circulação e recepção do texto através dos tempos, assim como são essenciais abordagens de caráter teórico-interpretativo que se encarreguem de interpretar o conteúdo linguístico, histórico-cultural, social, entre outros aspectos em que seja possível estabelecer uma relação com a constituição da língua e as marcas linguísticas presentes no registro. Dessa forma: [...] De posse de um manuscrito, o filólogo tem de saber de que época é a letra, deve interpretar e desfazer as abreviaturas, deve conhecer o estado da língua nos primeiros séculos, para, lendo o manuscrito, saber se se trata de um original, de uma cópia contemporânea ou de cópia posterior, se o copista foi fiel ou se inseriu modernismos no texto; deve conhecer a história, os usos e costumes, a cultura da época do 17º Congresso de Iniciação Científica da FASB, 2019, Barreiras – Ba ISSN 2594-7951 2 manuscrito, para interpretar o texto, entender as alusões, as imagens etc.[...] (MELO, 1975, p. 7). No encalço dessas prerrogativas, objetiva-se apresentar, neste trabalho, um breve estudo das causa mortis presentes em alguns fólios de um Livro de Óbitos pertencente à freguesia de Santa Rita do Rio Preto, localizada na região Oeste da Bahia, que teve o início de seu processo de escrita ainda no século XIX, mais especificamente no ano de 1857, com o objetivo de apresentar algumas peculiaridades constantes nas certidões de óbitos que constituem este documento, que se encontra no arquivo pessoal da Cúria Diocesana de Barreiras-BA, a qual nos disponibilizou este material de pesquisa.

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